terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Tremor no Haiti: de avivamento

Fonte: ECLÉSIA
Ano passado, pouco antes de embarcar para o Haiti, compôs o quadro de pastores da Igreja Presbiteriana Nacional (IPN), em Brasília, onde reside sua família – a esposa Marta, as filhas Évelin e Érika, e o genro Bruno Tavez, por ele tido como um filho. “São mais de 28 anos de casado, e sinto muitas saudades da minha família, que me incentiva, apoia e ora para que a missão a mim confiada seja cumprida com êxito”, agradece.
Em entrevista exclusiva à ECLÉSIA, diretamente de Porto Príncipe, onde está fixada a Base General Bacellar, sede do 1º Batalhão de Infantaria de Força de Paz (BRABATT 1/13), o pastor apresenta um quadro geral do país que, aos poucos, vem sendo reconstruído, tanto social como politicamente. Fala ainda sobre a importância do trabalho dos capelães evangélicos, da satisfação de fazer parte da missão de paz e de poder testemunhar, mesmo diante de tantos problemas, o tremor de um intenso avivamento espiritual numa região praticamente renascida das cinzas – no caso do Haiti, talvez seja mais apropriado: salvo das águas.
Qual é o resumo que você faz da sua vida – em todos os aspectos – antes e depois de se tornar pastor e capelão militar?
Eu nasci num lar evangélico em maio de 1960. Fui matriculado no berçário da Igreja Metodista de Mantiquira, em Duque de Caxias (RJ), com um mês de idade e batizado lá mesmo. Sou filho de uma família simples e tive bons amigos na adolescência, mas que à época não tinham qualquer compromisso com Deus. Isso me levou a afastar das atividades da igreja e a buscar as experiências mundanas no namoro, nos usos e costumes, até ser visitado pelo jovem evangelista Silas da Silva Corrêa, que me regou novamente com a Palavra. Apesar de curto, o tempo que permaneci distante da genuína comunhão com Deus foi suficiente para entristecer em muito o coração dos meus pais que, em momento algum, deixaram de orar e esperar pelo meu retorno. Uma coisa ficou muito clara ao longo do tempo: que o Senhor nunca se esqueceu de mim. Ele me livrou dos pecados mais graves – se é que podemos mensurar pecados pelo tamanho – e guardou a minha vida para uma verdadeira conversão a seu serviço. Acredito que tudo foi fruto de sua eterna misericórdia e das orações de meus pais que sempre me amaram intensamente. Hoje, com maior experiência de vida, eu olho para trás e vejo que a partir do dia da minha conversão pessoal tudo mudou para muito melhor: Deus me encaminhou profissionalmente, deu-me a mulher da minha vida, duas filhas e, mais tarde, um genro, que eu tenho como um filho do coração. Mas, acima de tudo, deu-me a capacidade de entender e pregar o Evangelho da salvação a toda criatura.
Qual é a sua ligação com a Associação Pró-Capelania Militar Evangélica do Brasil (ACMEB), de Brasília?
Tenho o privilégio de fazer parte do nascimento da ACMEB e hoje, com muita alegria, sou um dos associados. A associação era um sonho antigo de se ter um meio de integração das igrejas evangélicas que possuem capelães pastores nas Forças Armadas, na Polícia e Bombeiros Militares de todo o Brasil. Atualmente, a ACMEB cumpre esse papel e é reconhecida pelo Ministério da Defesa. Com orgulho, eu posso dizer que sou parte integrante dessa história.
Liderada pelo Brasil, a missão de paz promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti completou seis anos em junho de 2010. Como você analisa esse trabalho e como foi que se integrou à missão como capelão?
Apesar das significativas carências e desafios, considero muito positivo o trabalho da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH) e, em particular, das tropas brasileiras. Basta lembrarmos que o país vivia dominado pela violência e pelo terror das gangues e, a partir de 2006, foi pacificado graças à ação mais efetiva do governo haitiano, da ONU, das ONGs e da ajuda humanitária internacional. É evidente que os avanços não caminham na velocidade que gostaríamos, uma vez que as demandas são enormes. Esses anos representam 12 contingentes de 6 meses cada; e, somente o primeiro, em 2004, contou com a participação de um pastor capelão – o major Ivan Xavier. A assistência aos militares do segmento evangélico era um anseio mútuo, do rebanho em missão de paz e dos pastores capelães. Assim, após a insistente apresentação desses anseios aos órgãos militares competentes, verificou-se a real necessidade da presença de um pastor evangélico no Haiti. Então, eu me voluntariei e fui selecionado para a missão, razão pela qual estou aqui e muito feliz por sinal.
Quando você chegou ao Haiti, e quando terminam os trabalhos do 13º Contingente?
Cheguei em Porto Príncipe em 31 de julho de 2010, e tenho, como previsão de retorno, o dia 29 de janeiro de 2011. Isso, se Deus permitir.
Qual é o retrato sociopolítico e religioso do país atualmente?
Do ponto de vista social, o Haiti possui grandes desafios a serem enfrentados, como por exemplo: levar água tratada à população, coleta sistemática de lixo, moradia, sistema de esgoto e educação. A situação, que já era delicada antes, agravou-se ainda mais após o terremoto de janeiro de 2010, que fez mais de 250 mil vítimas fatais. No entanto, o governo, com o apoio da ONU e da comunidade internacional, tem envidado esforços para reverter esse quadro. Quanto à política, a partir da escolha do novo presidente o país deverá lançar as bases para o processo de reconstrução. Em relação à religião, sobretudo no campo evangélico, cada vez mais o povo tem experimentado um avivamento espiritual muito forte e bonito, com igrejas constantemente lotadas e pessoas em genuína adoração ao Senhor.
“A assistência aos militares do segmento evangélico era um anseio mútuo, do rebanho em missão de paz e dos pastores capelães”
“O povo tem experimentado um avivamento espiritual muito forte e bonito, com igrejas constante-mente lotadas e pessoas em genuína adoração ao Senhor”